A crise de 1385
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- Categoria: História
- Publicado em quarta, 30 novembro -0001 00:00
- Escrito por Antonio Cordeiro
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Após as guerras que travou com D. Henrique de Castela, D. Fernando l de Portugal fez várias doações aos fidalgos galegos que o tinham apoiado. A D. Ferndando de Castro cunhado de El-Rei D. Henrique de Castela doou Bemposta e Penas Róias, e a Fernando Afonso de Zamora doou Castro Vicente.
A paz de Alcoutim, celebrada a 31 de Março de 1371, na qual se estipulava a entrega recíproca das terras que se haviam tomado de parte a parte, terminou com o casamento do nosso rei com D. Beatriz filha do rei de Castela, tendo tido efeito somente a primeira condição, regressando à soberania portuguesa a vila de Miranda e as demais vilas do distrito de Bragança. A morte de D. Fernando,abriu caminho à instabilidade, devido ao facto de não ter deixado descendente masculino, sendo o trono então pretendido por vários herdeiros, entre os quais D. João de Castela, que era casado com D. Brites, filha do falecido rei , e o Mestre de Aviz. Eram estes os mais importantes (embora houvesse ainda outros) tentando cada um deles apresentar os seus argumentos para convencer as cortes, onde sobresaía a personalidade do Dr João das Regras, o qual cedo demonstrou ser o Mestre de Aviz o legitimo herdeiro da coroa.
Mas quem era o Mestre de Aviz? Era filho bastardo de D. Pedro l e de uma regateira por quem este se prendera de amores depois da morte de D. Inês de Castro. Era esta regateira a formosa Thereza Lourenço, de quem nasceu em Abril de 1357 ou 1358 (nâo se sabe ao certo) o que viria a ser Mestre de Aviz e o primeiro rei de Portugal com o nome de D. João. Tendo sido aclamado rei, o Mestre de Aviz desfez por completo as pretenções do rei castelhano, que no ano seguinte tinha apenas por si algumas praças do norte de Portugal. Estas eram governadas na devoçâo de Castela por alcaides que tinham alguma ligaçâo a esta tais como Bragança que era governada pelo Alcaide João Afonso Pimentel a quem Fernão Lopes chama traidor e corrupto. Mogadouro também manteve voz por Castela.
Após a batalha de Aljubarrota a 14 de Agosto de 1385, que consolidou o poder do Mestre de Aviz, dirigiu-se o Condestável D. Nuno Álvares Pereira a Trás -os-Montes, afim de chamar as praças rebeldes à ordem do Mestre de Aviz. D. Nuno Álvares Pereira, que viria a ser o Santo Condestavel, dirigiu-se ao norte em 1386, pondo sítio a Chaves, onde encontrou grande resistência, sendo esta cidade tomada na Primavera de 1386. Depois de regularizada esta situação seguiu ele para Castelôes no Concelho de Macedo de Cavaleiros ( que ao tempo era bem mais importante que Macedo) onde o esperava seu tio Martins Gonçalves de Carvalho com a gente de ordenança, marchando todos contra a cidade de Bragança, então governada por João Afonso Pimentel, que mantinha voz por Castela. À chegada do Condestável reagiu o governador Pimentel mandando tocar os sinos a rebate e preparando-se para a guerra ao som dos instrumentos marciais. O Condestável, como bom diplomata que era, mandou dizer que não vinha para pelejar, mas para visitá-lo. Com este aviso cessou de imediato o som dos instrumentos marciais. Pimentel ainda tentou ser gentil para com o seu opositor, tendo-lhe inclusive oferecido a sua casa, bem assim como roupa e outras gentilezas, o que, como era de esperar, foi recusado pelo defensor do Mestre de Aviz. João Afonso Pimentel era casado com D. Joana, irmã bastarda da Rainha D. Leonor, e tio da Rainha D. Brites, mulher do rei de Castela.
A.B.Cordeiro


