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Já com longa tradição no Douro, a CP vai em breve reeditar

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O presidente da câmara de Mogadouro admitiu hoje que

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A Câmara de Mogadouro vai retomar as obras no novo acesso à zona industrial, a partir de Março.

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No âmbito de um projecto para a recuperação de aves rupícolas

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Unidades de saúde de Bragança dispensam 179 médicos e técnicos

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179 pessoas com contratos de prestação de serviços nos centros de saúde do distrito de Bragança

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Mais um pouco de história. Santo Amaro e a sua lenda.

Mais um pouco de história.  Santo Amaro e a sua lenda.

Corria o ano da graça de 1578. O marquês de Pombal, depois de se ter entregue à reconstrução de Lisboa, destruída pelo terramoto de 1755, empenhou-se na tarefa de fortalecer o poder real e aumentar os domínios pessoais do Rei, através dos patrimónios nobres.

 

Daí ter forjado argumentos para atacar os mesmos nobres. De todas as manigâncias utilizadas sobressai o pseudo atentado contra o Rei D. José, que foi atribuído a vários titulares, entre eles os Marqueses de Távora, que nessa altura estavam muito sossegados nas suas terras. Os senhores de Távora eram donos de vastos domínios desde Lisboa a Trás-os-Montes.

O atentado deu ao Marquês de Pombal oportunidade de anexar esses bens à Coroa. Havia de ser precisamente uma quinta desse património que mais tarde D. João VI, ou alguém por ele, acabou por oferecer, em prémio pelo auxílio prestado durante as Invasões Francesas, ao duque inglês Wellington, quinta que aliás o duque utilizava apenas para a caça ao veado e ao javali, quando esses bichos ainda ali abundavam. Foi vendida, através dum negócio muito confuso, por um administrador aos comerciantes que a conservam neste momento em seu poder, como resultado de uma série de perdas ao jogo pelo dito administrador. A quinta fica em Mogadouro e era lá que os Marqueses de Távora passavam a sua época de caça.

Não foi porém para caçar que no dia 15 de Dezembro de 1758 para lá se dirigiu D. Luís Álvares de Távora, elemento mais novo da casa dos Távoras, e que usava o mesmo nome do seu avô, alcaide-mor de Mogadouro que muitas mercês conseguiram para a sua vila por benemérito do Papa Paulo III. Não foi caçar, mas fugir de ser caçado. D. Luís estava em Mirandela quando teve conhecimento do assassinato do seu pai e de seu irmão mais velho que se encontravam em Vila Real e lá foram apanhados pelo verdugo de Pombal. Avisado, às escondidas, dirigiu-se para a Tapada de Nogueira para daí seguir para Espanha. D. Luís era conhecido e estimado em terras de Mogadouro onde contactava directamente com o povo e com ele se divertia apreciando os costumes daquela boa gente e não poucas vezes. Se sentava à lareira dos aldeões para provar o vinho novo ou comer com eles uma tabafeia ou um salpicão. As notícias a Mogadouro demoravam a chegar e os algozes de Pombal também. Para que ninguém restasse da tal família, e mais tarde pudesse levantar encrencas, Pombal ordenou que os matadores liquidassem o último elemento da casa dos Távoras. Os algozes seguiam por Mirandela depois de extorquirem à força as poucas informações que os criados tinham, seguiram para Mogadouro pelo caminho traçado pouco antes por D. Luís. Quando os émulos de Pombal chegaram a Mogadouro era quase noite e pediram muda de cavalos na estalagem. Tanto bastou para que o dono da estalagem amigo de D. Luís, se apresasse a mandar um mensageiro à Tapada.Não demorou muito D. Luís a perceber o que se passava e apressou-se em as poucas coisas que poderia levar para terras de Espanha, já que a viagem seria necessariamente longa, pois teria de passar a fronteira em raia seca pela passagem do Salto, numa noite de Dezembro como aquela ser pouco menos que impossível. rnrnEm terras de Mogadouro o Inverno é muito violento. Terra de Inverno e inferno, como dizem os aldeões. As matas virgens, que ao tempo por lá abundam e agora já rareiam, eram coito de lobos, javalis e outros animais selvagens. Mas o tempo é, apesar de tudo, o maior carrasco de quem tem de o enfrentar. As geadas parecem nevadas e a chuva gelada batida pelo vento fustiga as faces até à dor, com se fossem bofetadas. Era uma chuva de neve, miudinha e fria a que caía nessa noite fatídica de 16 de Dezembro. Não havia qualquer luminosidade da lua e as estrelas não se viam. Era por instinto que o cavalo avançava através das veredas mal trilhadas que atravessavam as matas de carvalho e carrasqueiras. Com as vestes molhadas e rasgadas pelas silvas que se penduravam para os carreiros ia o fidalgo transido de frio e de medo. O uivar dos lobos que se ouvia perto já não lhe causava impressão agora que os outros lobos mais ferozes estavam no seu encalço. Depois de se ter enganado nos carreiros conseguiu sair da mata e apanhar caminho mais amplo, perto já da aldeia de Sanhoane.rnrnAí aconteceu o pior. O cavalo de D. Luís atupinou por ter metido a pata dianteira num buraco, por ser de noite mas ainda porque os algozes o alcançariam entretanto. Ainda ele não sabia que os algozes, agora com cavalos frescos já se tinham posto na sua peugada. Esfarrapado, transido e magoado com a queda, cheio de medo das feras e de homens piores que feras, só viu um caminho e por ele enveredou com todo o desespero de alma que o atravessava. Fez vergar os seus joelhos que poisou sobre a terra enlamada! Rezou! Rezou a Deus que tudo pode e rezou ao seu Santo Amaro que sempre tinha sido advogado da sua casa perante o Altíssimo. E houve milagre!rnrnA pata do cavalo retomou a forma antiga como se nada se houvesse passado. Aí mesmo D. Luís prometeu erigir uma capela em honra do seu prestimoso orago, assim que a horda sanguinária de Pombal saciasse o apetite nos patrimónios roubados aos mais nobres e leais vassalos de Portugal de então. A viagem prosseguiu em direcção à Serra de Montesinho, com paragem para descanso em Vimioso e Vale de Pena em casa de parentes e no dia 17 já estava em S. Martinho del Poderoso, em casa do amigo de família D. Paço.rnrnPassados que foram vinte anos, com o afastamento de Pombal pela rainha D. Maria I, mas sem restituição dos bens que tinham sido espoliados, voltou D. Luís a Portugal para cumprir a sua promessa. Lá está em Sanhoane o testemunho da promessa cumprida.rnSanhoane é uma aldeia do concelho de Mogadouro e está situada numa região planaltica a nordeste da vila, sendo de fundação ou povoada por cristãos das primeiras eras. Como em muitas aldeias transmontanas os habitantes são quase todos parentes uns dos outros e pouco permeáveis à entrada de elementos doutras terras no seu ambiente.rnrnA capela mandada construir por D. Luís é hoje objecto de romarias e numa casa ao lado vêem-se centenas de peças de cera que simbolizam os inúmeros milagres feitos por intermédio de Santo Amaro. No interior da capela, ao lado direito do altar-mor pode-se ver figurada m azulejos, a história da queda do cavalo e do milagre da cura da pata.

Os Távoras de Mirandela foram todos suplicados em 1759 pelos carrascos de Pombal e erradamente foi entendido durante muito tempo que tenham sido suplicados todos os Távoras e esqueceram-se do elemento mais novo da casa de Mogadouro, que pode voltar mais tarde a Portugal com outro nome para não ser objecto de represálias.rnrnEm 1885 ardeu todo o arquivo do Registo Civil e Predial de Mogadouro e pouco depois arderam os arquivos de Macedo de Cavaleiros e de Bragança, onde se guardavam valiosos pergaminhos e documentos genealógicos, o que constitui uma grande perda histórica. Dessa maneira perderam-se também ligações das pessoas aos seus antecedentes, passando os novos arquivos a funcionar com declarações dos interessados que diziam o que muito bem entendiam.

Quem sabe se algum lavrador de Terras de Mogadouro não será descendente de D. Luís, o último Marquês de Távora, que por injustiça del Rei D. José I, e de seu ministro Sebastião, teve de mudar de nome e de fortuna, mas não de sentimento de portuguesismo que o ligava tão estranhamente sua terra.

 

In Boletim Municipal da CM de Mogadourorn

Publicado em www.espigueiro.pt