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Futuro sombrio para as mães de Bragança

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Vai ser mais difícil nascer no distrito. No início desta semana diversos órgãos de comunicação nacional deram destaque às vantagens do encerramento das maternidades que não cumprem as condições mínimas para o seu funcionamento. São considerados requisitos mínimos, segundo o Jornal de Notícias, a existência de dois obstetras por equipa e que sejam efectuados mais de 1500 partos por ano. De acordo com estes critérios Bragança ou Mirandela arriscam-se a perder a maternidade. Na melhor das hipóteses ficará uma delas, tendo em conta a dimensão geográfica do distrito e a distância de Vila Real, que passaria a ser o local mais próximo com maternidade a funcionar.

Caso viesse a acontecer o encerramento das duas maternidades, as futuras mães de Bragança têm de equacionar a hipótese de ir ter os seus filhos a Espanha, pois Zamora ficaria muito mais perto do que Vila Real, sobretudo para a região leste do distrito. Bragança dista de Zamora 103 km e de Vila Real 120. Mas se para a capital de distrito a distância é sensivelmente a mesma, para Miranda do Douro compensaria muito mais ir a Zamora do que a Vila Real. Zamora está a 55 km, enquanto que Vila Real se encontra a mais de 200 km! No caso de Mogadouro, Zamora fica mais perto 33 km.
Uma coisa é certa, as futuras mães de Bragança é que vão ter de pagar a factura de políticas que ao longo dos anos não conseguiram inverter o despovoamento do interior e muito menos a situação a que se chegou, vá-se lá saber porquê, de termos falta de médicos e enfermeiros obstretas, que garantam o bom funcionamento das maternidades, sobretudo no interior do país.
Mas, parece que a hipótese mais provável é a do encerramento de uma das duas maternidades. No JN fala-se do encerramento da de Bragança ou da de Mirandela em alternativa. Na entrevista publicada nesta edição do Mensageiro de Bragança, a Directora da Administração Regional de Saúde (ARS) do distrito, Dra. Berta Nunes, acha improvável, mesmo, o encerramento de uma maternidade no distrito e alerta para os perigos dessa medida: “Se encerrasse uma das maternidades, significaria um aumento das distâncias que as grávidas teriam de percorrer para ter o parto, e isso poderia trazer algumas consequências negativas, como partos em ambulâncias”.
Esperemos que tenha razão, porque Bragança, ainda segundo as declarações da Directora da ARS, “é o distrito onde as pessoas têm de percorrer uma maior distância, para poder ter acesso a um hospital” que em alguns casos ultrapassa os 90 minutos, quando “se considera que para aceder a um serviço de urgência, não se deve ultrapassar os 60 minutos”.
De acordo com as notícias publicadas, as vantagens no encerramento de algumas maternidades seriam a melhoria na qualidade do serviço, com a diminuição do número de cesarianas, e a maior rentabilização do investimento. Com a aplicação dessa medida ao distrito, muitos não terão acesso a essa melhoria da qualidade no serviço, porque acabarão por nascer no caminho e não sabemos até que ponto ficarão mais baratos ao Estado.

Calado Rodrigues
http://www.mdb.pt/