Convento de Balsamão
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- Categoria: Personalidades e Instituições
- Publicado em terça, 23 janeiro 2007 18:04
- Escrito por Manuel Cordeiro
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Personalidades & Instituições
Convento de Balsamão
Neste texto vou falar sobre a congregação religiosa dos Marianos da Imaculada Conceição, que tem dado vida a este convento, desde tempos muito longínquos. Trata-se de uma congregação fundada, em 1673, pelo Venerável Servo de Deus Pe. Estanislau Papczynski, na Polónia. Só passados cerca de 87 anos é que foi introduzida em Portugal pelo Venerável Servo de Deus Pe. Frei Casimiro Wyszynski
, no ano de 1754. Bastante mais tarde, em 1909, sofreu uma renovação que teve como obreiro principal o Beato Jorge Matulaitis-Matulewicz. É uma congregação religiosa que está intimamente ligada a padres e Irmãos polacos. Ainda hoje assim é. Alguns dos padres que ali se encontram são originários desse país, muito ligado à religião católica, sendo o seu expoente máximo o Papa João Paulo II.
Esta comunidade, conhecida como Marianos, encontra-se espalhada por 18 países, desde a Europa, onde se destacam, além da Polónia, os três países bálticos, a Bielorússia, o Cazaquistão, a Ucrânia, entre outros, até à Austrália, Estados Unidos, Brasil, Argentina, Ruanda e Camarões. Sem dúvida que é uma comunidade bem activa ainda que não muito numerosa pois há cerca de 600 em todos estes países.
É constituída por padres e irmãos que, como pode ler-se em texto divulgado na Internet, “seguem Jesus Cristo virgem, pobre e obediente. Vivemos a nossa vocação religiosa inspirados e desafiados pelo mistério da Imaculada Conceição, dedicando-nos, com todas as forças, à edificação da Igreja, para que todos os homens, tanto os que peregrinam nesta terra com os que se purificam depois desta vida, alcancem a felicidade eterna em Cristo”
De Portugal estiveram ausentes durante cerca de 120 anos, entre 1834 e 1954. Neste momento tem duas comunidades, em Balsamão e em Fátima. Têm também uma residência em Telheiras, Lisboa.
Em tempos tiveram em actividade um Seminário onde estudaram muitos rapazes naturais da região. Com a crise que se instalou em Portugal no que respeita às vocações sacerdotais que começam, como é óbvio, por frequentar o seminário, não admira que este tivesse fechado.
Hoje as instalações foram adaptadas ao turismo e podem passar-se ali uns óptimos dias de descanso. A envolvência do convento, agora hotel, com vários quartos bem aconchegados, convida ao descanso físico e da mente. A sua localização, no pico do monte carrascal, faz-nos puxar pela imaginação pois, parecendo tão alto e sendo de tão difícil acesso, é quase um anão quando o comparemos com as montanhas que começam logo após terminar a planície que o envolve. A igreja, simples e austera necessitando de obras de manutenção, é local privilegiado para jovens casais da região, se consagrarem a Deus. No interior das instalações pode visitar-se a pequena capela e o museu, onde se pode ver a evolução que o convento sofreu e várias pinturas retratando o Padre Casimiro.
A história dos últimos 80 a 90 anos deste convento está intimamente ligada a um membro da minha família, o Dr. António Meneses Cordeiro. Logo após a implantação da república, comprou-o em hasta pública, tendo como intenção devolvê-lo aos padres da congregação. Contra sua vontade isso não foi possível. Após o falecimento da sua esposa, o convento e a igreja passaram a ser propriedade de uma das suas filhas, embora o terreno envolvente continuasse a pertencer-lhe. Entretanto todos os padres e irmão abandonaram o convento. Em 1954 regressaram. Querendo dar cumprimento àquela que era a sua vontade, entregar-lhes o convento, e não tendo conseguido sensibilizar a filha para isso, alugou-lhes a igreja e o convento. Em 1963, convenceu a filha a vender-lhes o convento e a oferecer-lhes a igreja. Assim aconteceu. Em jeito de compensação, o Dr. Meneses Cordeiro, ofereceu-lhes cerca de 200 m do terreno circundante e um tractor Ford com todas as alfaias agrícolas. Além desta sua nobre atitude foi, desde essa data até à sua morte um grande benfeitor do convento. Muitas vezes os seminaristas foram à sua quinta na Saldonha em passeio, acompanhados de padres onde se abasteciam de produtos agrícolas para a sua alimentação.
Manuel Cordeiro
Professor da UTAD
Publicado no Notícias de Vila Real


