João Paulo II
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- Categoria: Personalidades e Instituições
- Publicado em segunda, 26 fevereiro 2007 10:02
- Escrito por Manuel Cordeiro
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Personalidades & Instituições
João Paulo II
Desde 1523 que os papas eram todos de nacionalidade italiana. O Cardeal de Cracóvia, Karol Wojtyła, quebrou essa tradição e foi escolhido para papa no ano de 1978. Nasceu no dia 18 de Maio de 1920 em Wadowice, Polónia, tendo atravessado o período da 2ª Guerra Mundial ainda jovem, mas suficientemente maduro para se aperceber das atrocidades e dos atropelos aos direitos humanos, praticados pelo exército alemão. Õ sacerdócio não foi a primeira opção para o seu futuro. Foi por influência do cardeal Spihda que abandonou a perspectiva de ter uma carreira na literatura e no teatro e enveredou pelo caminho que o conduziu ao sacerdócio, tendo sido ordenado em 1946. De seguida licenciou-se em Teologia na Universidade Pontifícia de Roma. Mais tarde licenciou-se em Filosofia tendo sido docente na universidade de Lublin e na universidade estatal de Cracóvia. A sua passagem por esta universidade permitiu-lhe fazer conhecimentos e amizade com muitos dos mais destacados membros do movimento católico polaco.
Dotado de qualidades intelectuais e humanas pouco comuns, não espanta que em 1958 tenha sido consagrado Bispo Auxiliar do Administrador Apostólico de Cracóvia, com a particularidade de passar a ser o mais novo membro do Episcopado polaco. Depois de ter participado no Concílio Vaticano II, passou a desempenhar as funções de Bispo, cargo que ocupou durante dois anos. Após a elevação de Cracóvia a Arquidiocese foi ordenado Cardeal pelo Papa Paulo VI, no ano de 1967.
Esta ascensão rápida, mas consistente, levou-o ao mais alto cargo da igreja católica, sendo eleito Papa, com 58 anos de idade, como 265º sucessor de São Pedro e seu digno representante na terra, sucedendo a João Paulo I cujo papado durou apenas 33 dias.
A morte do pai teve grande influência no seu trajecto de vida. Também a invasão de Cracóvia pelo exército alemão fez crescer no seu interior o amor pelos outros. A morte do seu amigo de infância Roman, judeu e adepto de responder aos ataques dos alemães com as armas de que dispusesse, marcou-o profundamente. Um dia, estando na companhia de Karol Wojtyla, a amiga comum Eva, foi atacada pelos nazis. Para grande desgosto seu, Roman matou 3 soldados alemães e libertou-a. Karol presenciou tudo. Esta atitude do seu amigo deixou-o muito triste.
Houve outros episódios que o marcaram e contribuíram para a sua opção pelo sacerdócio. Um dia no regresso a casa vindo do teatro, viu os soldados alemães matarem a tiro um jovem que fugia com alguns frutos. Viu também a prisão e o baleamento da amiga Eva, sua companheira das lides teatrais, também dotada de um espírito revolucionário. Mais tarde soube que esta não tinha morrido. Estava enferma em casa. Tinha sido usada para fazer experiências médicas tendo-lhe sido extraída parte da medula. Depois da sua visita como que por milagre Eva ficou boa. As análises deixaram de indicar problemas com cancro. Atribui-se-lhe o milagre desta cura.
Ana, amiga de infância e que muito gostava dele perdeu, a esperança de com ele formar família quando este resolveu ir para padre. Quando estudante, às escondidas, continuava a ser alegre e convivia muito com os amigos e amigas. Era um homem de muitas ideias. Para fazer uma procissão proibida com figuras religiosas, construiu um andor sem qualquer figura e fez a procissão. Com o apoio constante dos amigos e do Cardeal Wizinski improvisou uma igreja num descampado onde colocou uma grande cruz, retirada logo a seguir pelos comunistas que entretanto tinham tomado o poder após a saída dos alemães. Não se incomodou. Disse aos amigos que quando fosse necessário colocavam outra cruz. E assim ia respondendo aos que o queriam impedir de exercer em pleno a liturgia.
A sua audácia e atrevimento casavam muito bem com a frieza e a astúcia do Cardeal Wizinski que tinha uma maneira muito especial de lidar com os soviéticos. Concordava com eles mas fazia o que achava que era correcto. Ou seja ia levando a água ao seu moinho.
O nome João Paulo II escolheu-o para homenagear o seu antecessor. Foi um acérrimo defensor dos direitos humanos e das nações. Condenou os conflitos da Jugoslávia, do Médio Oriente, do Afeganistão e do Iraque. Sempre que houvesse violação dos direitos humanos a sua voz fazia-se ouvir, com firmeza, mas com respeito. Pode dizer-se que contribuiu par a pacificação entre povos desavindos. Foi um obreiro da paz.
Teve uma contribuição decisiva para o desmantelamento do bloco soviético, a começar pela queda do muro de Berlim e continuando com a criação de países independentes que já o eram antes da sua anexação pela Rússia logo a seguir à 2ª Guerra Mundial.
Visitou inúmeros países, nomeadamente Portugal e Timor Leste. Foi um fervoroso devoto de Nossa Senhora de Fátima a quem atribuiu o milagre de ter sobrevivido à tentativa de assassínio por parte do turco Ali Agca. Enfim foi uma das maiores personalidades do século XX. Sem ele o mundo seria muito diferente, para pior. Ainda bem que, de vez em quando, há homens com a grandeza de João Paulo II.


