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Padre João Felgueiras

Personalidades & Instituições

 

Padre João Felgueiras

 

O Padre Jesuíta João Felgueiras é natural das Caldas das Taipas, Guimarães onde nasceu a 9 de Junho de 1921. É Jesuíta de formação e encontra-se em Timor desde 1971. É uma Personalidade de vasta cultura, com um vigor físico notável pese embora a idade de 86 anos, dos quais 36 foram passados em Timor em períodos muito conturbados e de convivência difícil, especialmente com os invasores indonésios, como o Senhor Padre lhe chama. Tive o privilégio de me ter encontrado com ele várias vezes, nos últimos 6 anos, mais concretamente, desde Novembro de 2001. É uma pessoa que muito admiro e que me habituei a respeitar, não só pela sua amabilidade natural, mas também por admirar muito o seu trajecto de vida e a obra que tem desenvolvido em Timor quer no que respeita à actividade religiosa quer à actividade de escolarização de muitos timorenses.

 

 

Encontrámo-nos pela primeira vez no alpendre da casa dos jesuítas em Taibesse (China Rate), perto do cemitério da comunidade chinesa de Timor, do tempo da administração portuguesa. O objectivo era participar num encontro com mais de 20 senhoras timorenses que ensinavam nas escolas primárias em Díli e em outros pontos de Timor. A minha presença e de alguns colegas que me acompanhavam, foi considerada muito importante pelo Senhor Padre pois, em sua opinião, poderia “cimentar as relações entre uns e outros de modo a rentabilizar a nossa presença em Timor”. Estas suas palavras foram premonitórias de uma colaboração e amizade que entre mim e o Padre Felgueiras se estabeleceu. Estou certo que da sua parte isto é também verdade.

A sua intervenção no início da reunião permitiu-nos imaginar o quanto pessoas como ele são responsáveis pela dignificação de povos que, como o de Timor, tanto têm sofrido, não só fisicamente, mas também culturalmente. Recordo muito bem algumas das ideias que nos expôs destacando esta: a cultura triplica o valor humano de qualquer pessoa.

Em sua opinião o que aconteceu durante a invasão indonésia foi, entre outras coisas, a aculturação dos timorenses quer não lhes dando condições de acederem à cultura quer proibindo-os de exteriorizar os seus sentimentos e os seus hábitos culturais.

Dando consequência ao espírito evangelizador e à capacidade que os Jesuítas têm para espalhar cultura, o Padre Felgueiras pôs em marcha, em 1988-89 uma iniciativa que, pelas suas palavras, ultrapassa hoje as expectativas de então. Trata-se de um FACSI – Fundo de Ajuda Caritativa Social da Companhia de Jesus – COMUNIDADE AMIGOS DE JESUS, orientado para a formação de jovens timorenses. Desde a sua fundação já beneficiaram deste muitas centenas, talvez milhares de jovens timorenses que obtiveram graus de licenciatura e hoje, alguns deles, ocupam lugares de destaque em Timor. Essas bolsas cobriam, muitas vezes, a totalidade das despesas nas instituições de Ensino Superior ou Politécnico. O Padre Felgueiras tem uma fé muito grande nos seus antigos bolseiros. Promove reuniões com muitos deles para cimentar o espírito de amizade entre todos e serem “os pontas de lança” na divulgação de valores que tenham sempre em vista a dignificação do ser humano. Muitos deles ocupam lugares de destaque em Timor, quer na política quer em outros ramos de actividade. O futuro de Timor será o que quiserem que seja.

A sua acção na defesa e na implantação da língua portuguesa em Timor merece todo o apoio, mesmo financeiro, das instituições públicas ou privadas que tenha esse nobre objectivo.

Dizia, em tempos, o Padre Felgueiras que “em 1975 havia milhares de chineses no território, a que se chamava vulgarmente «China Macau», que falavam, além da sua língua, o Tétum e o Português, apenas o português prevaleceu. Em Timor a língua portuguesa é perfumada como o sândalo”.

 

Manuel Cordeiro

 

Professor da UTAD