D Manuel Manso – Bispo do Funchal e da Guarda(2)
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- Categoria: Personalidades e Instituições
- Publicado em quarta, 12 dezembro 2007 22:45
- Escrito por Manuel Cordeiro
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Personalidades & Instituições
D Manuel Manso – Bispo do Funchal e da Guarda(2)
O exercício do seu episcopado na diocese do Funchal não foi fácil. Devido à sua forte personalidade e à sua atenção permanente aos seus diocesanos, enfrentou alguns problemas durante esse período. No jornal A Ordem de 8 de Janeiro de 1853 pode ler-se uma carta do Cónego Nery, muito contestatário da actuação do Senado da Igreja do Funchal aquando da realização de um Te Deum na Sé Catedral em honra do Visconde de Fornos de Algodres, Senhor José Silvestre Ribeiro, ex-Governador da Madeira, e que tinha sido nomeado Par do Reino. A razão desta polémica teve a ver com o facto de o Bispo D Manuel Manso não ter autorizado a celebração de um Te Deum em obséquio de Sua Majestade Imperial, a Senhora Duquesa de Bragança, que aqui chegara com a sua “Ilustre Filha enferma”, com o objectivo de esta melhorar com os ares saudáveis da Madeira. Dizia este clérigo que tal Te Deum era inconveniente, desnecessário, lisonjeiro, bajulador, faccioso, ridículo, cabralino, ofensivo ao novo Governador, ultrajante ao Governo da Capital e imprudente.
Estas afirmações foram extemporâneas como pode ver-se pela resposta que o Marquês de Resende deu, aclarando o que se tinha efectivamente passado. Não tinha sido o Bispo que recusou a celebração do Te Deum. Foi a pedido da Imperatriz que isso aconteceu pois esta manifestou o desejo de adiá-lo para quando a Princesa Dona Maria Amélia estivesse em estado de a ele assistir. O Te Deum acabou por se realizar no dia 4 de Janeiro de 1853, no dia de aniversário de Sua Majestade a Rainha. No jornal A Ordem do dia 5 pode ler-se: às onze horas e meia cantou-se Te Deum na Catedral oficiando S. Excia Reverendíssima o Bispo da Diocese, D, Manuel Manso. Estiveram presentes a Câmara Municipal, as autoridades civis, militares e judiciais, alguns cônsules e outros cidadãos. À saída deram-se as descargas do costume, vivas ao Rei e houve iluminação.
Este episódio é elucidativo das “guerras” que havia no seio da igreja funchalense. Foi neste ambiente que ele teve que desenvolver o seu episcopado.
A permanente atenção que dedicava aos problemas que envolviam os seus diocesanos estão espelhados no texto que se segue, do dia 26 de Julho de 1851 publicado no Jornal Correio da Madeira que diz: “Exmo. Senhor Administrador do concelho do Funchal: tenho a honra de acusar a recepção do ofício de V. S. de 4 do corrente, e de lhe participar que em virtude da certeza que V. S. por ele me deu da existência do terrível flagelo da Chell morbus na ilha quase vizinha da Grã Canárias, fiz expedir aos Reverendos párocos da diocese para fazerem preces por 3 dias, exortando os seus paroquianos a assistirem a elas, acompanhando-os com fervorosas orações …”.
D. Manuel Manso era uma pessoa muito simples. Diz-se que, em consequência disso, nunca ocupou o Paço Episcopal. Os seus donativos a instituições da igreja na Madeira eram muito frequentes. No texto publicado no Jornal A Ordem de 19 de Junho de 1858, aquando do seu regresso a Portugal continental, tendo com destino a Diocese da Guarda pode ler-se o seguinte: no dia 13 do corrente mês pelas 11 horas da manhã embarcou no Brigue Galgo para Lisboa Sua Excia Reverendíssima o Sr. D. Manuel Martins Manso que foi transferido desta Diocese para a da Guarda. Sua Excia deixou aqui as mais lisonjeiras impressões sobre as suas muito reconhecidas virtudes. Prelado mais sisudo e respeitável pelo seu carácter, não ocupou o paço Episcopal. Consta-nos que fizera muitas esmolas antes da sua partida, além das que costumava fazer habitualmente e sem a menor ostentação…foi acompanhado no trajecto até ao barco, por um grande número de pessoas de todas as classes entre as quais o Brigadeiro Baldy, uma deputação do Cabido …”. Também o acompanhou ”o General Pierce, ex-Presidente dos Estados Unidos da América…”. Este estivera na ilha para que a sua esposa beneficiasse do excelente clima que ali existia. Pode ler-se ainda que ”o Reverendo prelado foi conduzido ao barco na galeota do governo, tendo sido dada uma salva de 21 tiros quando a galeota passava em frente da fortaleza do ilhéu”.
Terminava assim a etapa da sua vida de Bispo do Funchal e iria iniciar-se outra, bastante importante pelas lutas que teve que travar para manter a Diocese para onde fora transferido, a da Guarda.
Publicado no Notícias de Vila Real
Manuel Cordeiro
Professor da UTAD


