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D Manuel Manso – Bispo do Funchal e da Guarda (3)

Personalidades & Instituições

D Manuel Manso – Bispo do Funchal e da Guarda (3)

Por motivos de saúde resignou do bispado do Funchal, tendo sido colocado na diocese da Guarda em 18 de Março de 1858 até à sua morte.

Aqui desenvolveu um conjunto de actividades que muito contribuíram para que o seu nome ficasse ligado a algumas delas, muito importantes para a diocese e seus habitantes. A renovação do Seminário, a evangelização da diocese com a vinda de missionários contratados, a luta contra o avanço do protestantismo que na época se instalava na diocese, tendo para o efeito condenado as denominadas “bíblias falsas”, a restauração de parte da Sé, foram algumas das suas medidas para repor a diocese no lugar que lhe era devido.

O seu maior desafio, a manutenção da diocese da Guarda, venceu-o com a ajuda do sobrinho Francisco, licenciado em Direito e, posteriormente, ordenado Padre e, mais tarde, Chantre da Sé e o braço direito do tio, sendo mesmo, por muitos, considerado o mentor de muitas das iniciativas que o tio levou a cabo.

Quando D Manuel chegou à Diocese da Guarda encontrou uma pobreza social muito visível Para amenizar estes problemas associou-se à fundação do Asilo de Infância Desvalida, iniciativa do Governador Civil Sande e Castro. A partir daí muitos sacerdotes testamentaram parte dos seu bens para ajudar o Asilo. Apoiou o Comissário de Polícia, Geraldo Batoreu, a fundar a primeira Corporação de Bombeiros tendo, mais tarde, o bispo D Tomaz doado uma casa para instalar a sua sede. Revitalizou o Seminário dando-lhe a dignidade merecida e tornando-o uma instituição valorizadora dos seus estudantes. Quando ele chegou os professores recebiam muito abaixo dos professores do ensino liceal. Com a sua acção esta situação alterou-se e passaram a receber o mesmo. Para isso promoveu uma reforma curricular e económica, passando a receber mais do dobro dos alunos que até então o frequentavam. A maior parte destes alunos eram de origem pobre e não pagavam quaisquer propinas. A sua acção foi também decisiva para a constituição de um corpo docente de qualidade. Para isso recorreu à sua família interessando vários dos seus sobrinhos a viver na Guarda. Os seus sobrinhos Francisco Manso, João Manso, José Manso, João Cordeiro e Francisco Cordeiro, ficaram intimamente ligados ao Seminário. Alguns deles ocuparam o cargo de Reitor e Vice-reitor.

A importância da sua família na Guarda fica bem evidenciada pelos cargos de grande influência religiosa e civil que muitos deles ocuparam. Entre 1870 e 1892, ele era o bispo, o Francisco Manso, Chantre da Sé, o João Manso, Governado Civil e Juiz Auditor Administrativo em Aveiro, o João Cordeiro, Vice-reitor do Seminário, o Francisco Cordeiro, Reitor do Seminário e o José Manuel Manso, Presidente da Câmara Municipal e, mais tarde, Visconde de Vale Pereiro, Alfândega da Fé. Foram vários anos de hegemonia da família Manso e Cordeiro na cidade da guarda, longe da terra natal das duas famílias, Mogadouro e Alfândega.

O grande combate da sua vida foi a oposição à extinção da Diocese da Guarda, previsto na reorganização nacional das dioceses. Foi uma batalha que ganhou, muito apoiado pelos sobrinhos, especialmente o Francisco, considerado o grande obreiro da luta travada para vencer a ideia de acabar com a diocese que já vinha de há algum tempo. Para evitar isso D. Manuel Manso dirigiu um amplo movimento de forças vivas da cidade e da região contestando essa decisão. Foi uma batalha muito dura com vitória para D Manuel. Morreu, sem que oficialmente nada tivesse sido decidido, embora se diga que, ao morrer, já sabia que a extinção estava posta de parte ( Pinharanda Gomes). E, com efeito, a reforma das dioceses (1881) manteve a da Guarda.

O solar da Rua Direita onde viveu em família com todos os seus sobrinhos, foi palco das decisões que muito contribuíram para o governo da diocese.

Morreu em 1 de Dezembro de 1878. Jaz no cemitério da Guarda.

Publicado no Notícias de Vila Real

Manuel Cordeiro

Professor da UTAD