O CNE é uma instituição declarada de utilidade pública e é definida como uma associação de juventude sem fins lucrativos não política e não governamental. Congrega mais de 1000 agrupamentos nacionais em todos os concelhos de Portugal e dispõe de uma rede de animação e coordenação territorial tendo uma Junta Central que assegura a gestão e a implementação das suas políticas gerais e sectoriais.
Ser escuteiro é um estilo de vida que muitos jovens e menos jovens adoptam em Portugal. Baseia-se na auto educação progressiva através da aprendizagem feita em activa participação com os outros.
Visa desenvolver a capacidade de liderança, as habilidades do grupo e a responsabilidade individual de cada um, desenvolver o carácter, a criatividade e capacitar os seus membros para serem capazes de escolhas autónomas e responsáveis e de as assumir até às últimas consequências, aprender a produzir o que se consome, resistir ao consumo, respeitar o seu semelhante, aprender a viver em comunidade. Em suma crescer e viver em harmonia com os outros.
Sendo um movimento de voluntários tem as virtualidades inerentes a essa condição dos seu membros que são o amor à causa que defendem, a disponibilidade para ajudar os outros, o empenho na educação dos mais jovens, etc. Em Portugal há mais de 10000 voluntários adultos, designados de Dirigentes, que ajudam os jovens a tornar os sonhos realidade.
A ligação à igreja católica deste movimento, pode comprovar-se todos os Domingos nas missas das igrejas das vilas e cidades de Portugal. O modo exemplar como todos desempenham as tarefas que lhe são confiadas torna-os uma parte importante no desenrolar da missa. Sem dúvida que prestam um óptimo serviço à comunidade local. A sua presença não passa despercebida a ninguém que participe na missa dominical.
Uma faceta muito interessante do movimento de escuteiros é o facto de existir uma associação chamada Fraternidade de Nuno Álvares (FNA) que acolhe todos os escuteiros que, por razões das suas vidas profissionais ou familiares, foram forçados a dar lugar aos mais novos a fim de que o trabalho iniciado pudesse ser continuado. Esta associação foi reestruturada em 1996 com a aprovação dos seus estatutos pela Conferência Episcopal Portuguesa. Os seus objectivos principais podem resumir-se nos seguintes: estreitar os laços de amizade vividos durante o tempo em que cada um foi escuteiro; criar um elo forte entre a experiência do passado e as relações com o presente, pelo desenvolvimento das relações entre antigos e actuais escutas; propor-lhes ocupações de natureza social, ajuda à comunidade, protecção ambiental e preservação do testemunho do país no campo das tradições, da cultura e do artesanato.
Em Portugal houve e há muitas pessoas que foram escuteiros e que desempenham ou desempenharam tarefas de grande responsabilidade a vários níveis. Assim vou referir alguns deles.
Na política temos o Dr. Menéres Pimentel Ex-Provedor de Jusiça; o Dr. Jorge Lacão Político, Deputado à Assembleia da República; a Drª Margarida Pinto Correia Jornalista, Locutora de Rádio, Actriz; Dona Isabel Herédia Duquesa de Bragança; Prof. Hermano Saraiva Historiador, Escritor, Autor de Programas Televisivos; D. Manuel Clemente Bispo do Porto; Drº Mendes Bota Político, Ex-Deputado à Assembleia da República, Ex-Eurodeputado; Dr. Rui Pena Político, Ex-Deputado à Assembleia da República; o Prof. Carvalho Rodrigues Professor Universitário, Cientista ("pai" do PoSat, o primeiro satélite português); D. António Ribeiro (falecido) Ex-Cardeal Patriarca de Lisboa e D. Eurico Nogueira, Ex-Arcebispo de Braga.
Termino com as palavras deste último que disse “o Escutismo trouxe à minha vida uma ajuda na minha formação humanista e na consolidação da minha vocação”.
Manuel Cordeiro
Professor da UTAD
Publicado no Notícias de Vila Real








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