Clemente Meneres
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- Categoria: Personalidades e Instituições
- Publicado em terça, 10 fevereiro 2009 19:51
- Escrito por Manuel Cordeiro
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Personalidades&Instituições
Clemente Meneres
A evolução que o mundo tem tido deve-se à capacidade que o homem tem para ver mais longe do que o que o rodeia. Clemente Meneres foi, ao seu tempo, um homem com uma visão muito para lá da sua terra natal, a Vila da Feira, onde nasceu no lugar da Cruz a 19 de Novembro de 1843. Os pais eram lavradores e industriais, situação muito vulgar à época. Além das terras que cultivavam eram também proprietários de uma serralharia e uma oficina especializada em tudo o que respeitava a fechaduras. As duas empregavam cerca de 40 operários. Foi ali que ele começou a sua aprendizagem e onde deu largas ao seu modo muito avançado de ver a vida. Rapaz perspicaz, depressa se apercebeu da diferença que havia entre a opulência alardeada pelos intermediários que negociavam com os seus pai e a vida pacata e difícil que estes levavam. Esta situação. além de lhe “abrir os olhos” para a realidade da vida, fez com que dali para diante enveredasse pela actividade da distribuição, especialmente a da sua própria produção.
Uma carta de um tio que vivia no Brasil despertou a sua curiosidade e depressa decidiu experimentar viajar até ao Rio de Janeiro, tinha então 16 anos. A viagem começou na barra do Douro no barco Olinda e durou 41 dias. Chegado ao Rio, começou por trabalhar para o tio na liquidação do estabelecimento que este ali possuía. Terminada esta tarefa, que durou um ano, passou a trabalhar na chácara que o tio possuía no Catumbi. Por indicação do tio casou com uma sua filha, sua prima. A vontade de se tornar independente economicamente, levou-o a aceitar um emprego num armazém do Rio.
Em 1863 retorna ao Porto e em 1872 inicia uma vida cheia de sucessos e de negócios proveitosos que o levam a muitas partes do mundo. Começa pelo Brasil, vai à Áustria onde assiste à Exposição Universal de Viena, vai a Hamburgo e estabelece ligações comerciais por todas estas terras e outras por onde passa. Um destes contactos permite-lhe iniciar a exportação de azeite para a Rússia. No regresso da exposição de Viena passa pela Holanda, Bélgica e Inglaterra, onde estabelece contactos com importadores de vinho do Porto. Esta sua constante deslocação à procura de novas oportunidades de negócio valeram-lhe ser alcunhado de andarilho pelos seus amigos negociantes como ele. No entanto ele sabia que só assim podia arranjar mais clientes e expandir os seus negócios.
A 10 de Abril de 1874, inicia actividade aquela que será a sua empresa de destaque a C. Meneres e Cª, passando a ser o único sócio e gerente. Pode não parecer, mas nesta altura ele ainda um jovem pois estava na casa dos trinta anos e cheio de ideias e de vontade
Foi um dos grandes responsáveis pela vinda do caminho-de-ferro para Trás-os-Montes, em especial, a linha do Tua. Foi um homem muito amigo de todos os que com ele conviveram tendo deixado uma Escola Primária, para a qual alojou e contratou professores e onde era fornecido o almoço às crianças que a frequentavam. Numa placa alusiva à sua chegada ao Romeu, cerca das 4 horas da tarde do dia 18 de Maio de 1874, pode ler-se: “procurei uma estalagem e encontrei a única que lá existia, a da Senhora Maria Rita, que não tinha nada para nos dar de comer. Mandei então assar bacalhau acompanhado, a primeira vez para mim, de pão negro e centeio”.
Quem hoje não conhece a Quinta do Romeu? E o restaurante Maria Rita? E o Museu das Curiosidades?
Manuel Cordeiro
Professor da UTAD
Publicado no Notícias de Vila Real


