ACTIVIDADE FÍSICA E SAÚDE
Razão de ser da importância da actividade física
O homem é um animal e todos os animais têm padrões de vida para os quais a Natureza os fez. Quando se afastam desses comportamentos entram em sofrimento, afastam-se da saúde, da qualidade de vida e do seu equilíbrio com a mesma Natureza e aí surge a doença. Nestes padrões incluem-se os alimentares e os de movimento e AF regular entre muitos outros (afectivos, sociais, de sono, sexuais, etc.). Fruto das condições de vida e do chamado progresso tecnológico e sócio-económico, a população está cada vez mais sedentária. Ou seja, este progresso que deveria constituir uma vantagem para a humanidade está a revelar-se como fonte de doença por estar a ser mal utilizado e abusado.
Esta página apenas se dedica à importância da actividade física para a saúde. Quando se analisa a importância de algo na saúde, neste caso da actividade física, há que fazê-lo numa dupla perspectiva:
A importância da actividade física para manter a saúde, ou seja para evitar o aparecimento de doenças várias - A isto chama-se prevenção primária
A importância da actividade física em quem já tem diversos problemas ou doenças para evitar que se agravem ou mesmo para auxiliar à sua recuperação - A isto chama-se prevenção secundária
Neste local vamos abordar a AF sobretudo numa perspectiva de prevenção primária. Contudo ela não só ajuda a prevenir como é importante na recuperação de muitas doenças. Por esta razão, a maioria dos doentes, nomeadamente os doentes cardíacos, não só podem como devem praticar actividade física, desde que ADEQUADA à sua condição médica. Embora a sua prática possa originar mais riscos que na população geral, no caso da actividade não ser adequada, ainda precisam mais dela do que os saudáveis. Com efeito, desde as pessoas com hipertensão arterial às que tiveram enfarte do miocárdio, dos diabéticos aos asmáticos, passando pelos obesos às pessoas com osteoporose, para apenas citar poucos exemplos das doenças mis frequentes, o seu esquema de tratamento não pode ser considerado completo se não incluir um programa de actividade física adequada. Os medicamentos não dão tudo, por mais caros que sejam. Este é um conceito desconhecido por grande parte da população, embora nesta página nos centremos mais nos efeitos protectivos da actividade física na manutenção do estado de saúde, ou seja na alínea "a".
O que é actividade física?
Actividade física e desporto são conceitos diferentes embora parecidos: o primeiro é mais abrangente que o segundo.
Pode-se considerar como actividade física tudo aquilo que implique movimento, força ou manutenção da postura corporal contra a gravidade e se traduza num consumo de energia. Este conceito é muito abrangente e mostra que o espectro da actividade física é muito vasto, quer em termos do tipo desta, quer da sua intensidade. Logo, pode-se praticar actividade física sem se praticar desporto. Como costumamos afirmar: "ser desportista é uma opção; ser activo é uma necessidade".
O conceito de desporto já implica regras, jogo, competição, mesmo que seja só de lazer ou recreação. Com excepção daqueles desportos em que não se pratica actividade física, como o xadrez, o bridge, etc., pode-se dizer que todos os desportos implicam actividade física, mas nem toda a actividade física implica a prática de desporto.
Em termos médicos o que interessa sobretudo é a prática de actividade física REGULAR. Se não for regular de pouco serve.
A actividade física pode ser classificada em dois grandes grupos: AF espontânea e AF organizada, também chamada estruturada ou formal. Cada tipo tem as suas vantagens e limitações.
AF espontânea é aquela que está integrada nos hábitos da vida diária: deslocações a pé, subir escadas, passatempos ou profissões fisicamente activas, levar os filhos ou os animais a passear, etc. As suas vantagens são: estar sempre acessível, podendo ser praticada todos os dias e a qualquer momento do dia; não obrigar a custos económicos significativos, nem a deslocações aos locais da sua prática pois em qualquer lugar se pode caminhar, subir escadas ou fazer certos exercícios. As suas limitações são não desenvolver ao máximo as várias capacidades físicas, devido à sua baixa intensidade e ao facto de não trabalhar as várias componentes da chamada condição física.
AF organizada é a que se pratica em clubes desportivos, ginásios e instituições afins. Requer mais condições mas traz beneficios adicionais em relação à primeira. As suas vantagens e limitações são as inversas em relação à actividade física espontânea.
Efeitos benéficos da actividade física regular
São muitas as vantagens que decorrem da prática regular de actividade física e não se limitam ao controle do peso nem aos benefícios cardiovasculares. O quadro 1 apresenta as principais vantagens para a saúde de ser fisicamente activo.

Quais os mínimos necessários de actividade física recomendada
Aquilo que se segue aplica-se à prevenção primária (ver acima). Está definido que o mínimo dos mínimos de AF que qualquer pessoa necessita é 30 minutos todos os dias de actividade física espontânea, independentemente de ser contínua ou fraccionada em dois ou três períodos, embora quanto mais melhor até certos limites. Andar a pé 30 minutos por dia já corresponde a este patamar mínimo e se for num passo mais enérgico será ainda melhor.
Para que toda a população compreenda as orientações actuais, elas costumam expressar-se através da chamada pirâmide da actividade física apresentada na figura 1. À medida que se sobe na pirâmide aumenta a intensidade das várias actividades físicas mas decresce a necessidade da sua frequência semanal. Por outras palavras: as actividades menos. intensas para proporcionarem os mesmos beneficios necessitam ser diárias ou quase e o inverso vai-se aplicando à medida que aumenta a intensidade. Assim, e porque o factor que mais se correlaciona com os riscos causados pela prática de actividade física é a sua intensidade, podese concluir que a actividade física ligeira a moderada, desde que diária ou quase, já proporciona ganhos muitos significativos de saúde, a muitos dos níveis referidos no quadro 1.
Por isso todos temos a necessidade de ser activos, pelo menos meia hora diária.
Se quisermos beneficiar ainda mais a saúde pode-se substituir ou acrescentar esta actividade, em 3 a 5 dias da semana, por actividade física formal em que se previlegie o trabalho cardiovascular (marcha mais rápida, corrida lenta, bicicleta, remo ou afins) e a flexibilidade. De referir que este tipo de esforços tanto se pode praticar em ambiente de health-club como no exterior. A intensidade destes programas depende de muitos factores pelo que a prescrição de exercício deve ser sempre personalizada em função das necessidades e preferências de cada um, tema que não aprofundaremos aqui por questões de espaço. Para ganhos adicionais deve-se incluir trabalho de força, vulgarmente designado de musculação, 2 a 3 vezes por semana, mas isso não dispensa o trabalho cardiovascular que é o principal. Isto já vai implicar maior consumo de tempo e deslocação a um local onde haja quem oriente este tipo de trabalho. Neste terceiro nível também está a prática desportiva recreativa em substituição de algumas das sessões de treino mais rígido para evitar a saturação, embora aqui seja mais difícil delimitar a intensidade mínima e máxima a que decorre o esforço.
O quarto e último nível é o do desporto de competição que em termos de saúde é facultativo, pois os benefícios que vai trazer serão desproporcionadamente pequenos para a sua grande intensidade.

A actividade física tem riscos ou inconvenientes?
Como tudo na vida, também a actividade física pode ter alguns riscos ou inconvenientes, mas que são largamente compensados pelas suas inúmeras vantagens. E convém referir que, em termos de actividade física para promoção da saúde, não considerando a competição desportiva, a maioria desses riscos são previsíveis e evitáveis desde que a actividade física praticada seja ADEQUADA a cada um. Esta adequação tem a ver sobretudo com três aspectos: - o tipo de actividades realizadas; - o contexto clínico e etário do praticante; - e sobretudo a intensidade a que a mesma decorre. É com base neste tipo de considerandos que se formulou a figura 2. Esta última mostra porque razão o trabalho cardiovascular se situa entre 3 a 5 vezes por semana quando a saúde é o principal objectivo. É que, pela análise da forma das curvas, pode-se verificar que a partir desses valores já não há muito mais ganhos de saúde e o risco de lesões aumenta desproporcionadamente. O mesmo acontece para a relação entre risco de lesão e intensidades da prática, duração de cada sessão e para a sua frequência semanal que obedecem ao mesmo tipo de curvas.

O caso português
Portugal é o país da União Europeia que tem os piores índices de actividade física quer espontânea, quer organizada, ou seja, somos o povo menos fisicamente activo da União Europeia. Isto quer dizer que, num país pobre como o nosso, continuamos a desperdiçar o baixo investimento nesta prática, a qual que dá grandes dividendos, não só de qualidade de vida como económicos, quer à escala individual, quer à escala dos vários sistemas de saúde, privados ou estatais, quer, em última análise, à escala do próprio país. Se toda a população fosse mais activa, e não estamos a falar de todos serem desportistas mas de pelo menos todos andarem 30 minutos por dia, os portugueses eram mais felizes, tinham melhor saúde, melhor qualidade de vida e mais prazer e o país poupava muitos milhões de contos em hospitalizações, comparticipações de medicamentos e outras despesas de saúde, etc., relacionados com as doenças devidas ao sedentarismo, recursos esses que poderiam ser canalizados para outras necessidades. Poupava-se também muito sofrimento, muita invalidez e muitas mortes. Reverter esta estado de coisas passa por macrointervenções político-sociais e económicos, quer ao nível do poder central como local, mas também ao nível das empresas, das escolas e por intervenções a nível das comunidades mais pequenas, sobretudo das famílias. Nestes planos será fundamental englobar a terceira idade pois os estudos científicos têm revelado que nunca é tarde demais para (re)começar a praticar e que em todas as idades há potencial biológico para ganhar com a sua prática.
Enviado por: Sérgio Esteves
Prof. Educação Física
Fonte: Fundação Portuguesa de Cardiologia








Mister Wong
Digg
Del.icio.us
StumbleUpon
Slashdot
Furl
Yahoo
Technorati
Newsvine
Spurl
Googlize this
Blinklist
Facebook
Wikio
ai adormeci
tava a falar do quê?
ah, já sei
gostei do trabalho, sim senhor
parabens