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Bruçó quer comercializar castanha

Bruçó quer comercializar castanha

“Única” aldeia do concelho de Mogadouro com produção de castanha encontra graves problemas na comercialização

Carla A. Gonçalves

“As grandes empresas dificultam a comercialização da castanha biológica de Bruçó” – quem o diz é Armando Pacheco, director da Associação de Produtores Agrícolas e Ambientais (APATA), à margem das terceiras jornadas dedicadas à castanha, em Mogadouro.

Texto retirado de: www.mdb.pt
Mensageiro de Bragança 


O director da associação considera que a plantação de soutos em Bruçó está a aumentar. No entanto, “o fundamental era conseguir vender a castanha como biológica, porque ela é produzida de modo biológico, já está certificada, tem apoio técnico, só falta colocá-la no mercado com a mais-valia que ela tem”.
Por isso, Armando Pacheco propõe uma “organização de agricultores de modo a registarem uma marca, para assim a colocar no mercado”. Contudo “há dificuldades, porque as grandes empresas têm já certificadas produções, como por exemplo a Sortegel”.
O que acontece, segundo o representante da associação, é que “esta castanha acaba por ser uma mais-valia para as grandes empresas, que compram, mas não pagam como sendo biológica”.
Ainda assim, Eugénia Gouveia, uma das oradoras presentes, considera que é “importante sensibilizar para uma cultura que está confinada à aldeia de Bruçó, mas que consegue mobilizar muitas vontades”.
Para a especialista, convém lembrar que “associados aos castanheiros estão os cogumelos, pois onde houver castanheiros há cogumelos, o que dá à castanha grandes potencialidades”.
Manuel Tibério, professor na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), apresentou várias potencialidades associadas à produção de castanha, “desde os baixos custos de produção, a facilidade de adaptação ao modo biológico, os usos diversos associados à castanha e que podem ser usados na restauração local, a complementaridade que pode existir com os frutos secos locais e a possibilidade de beneficiação das medidas agro-ambientais”.
Todavia, o especialista considera que há também diversos problemas, a saber: “o facto de não beneficiar da Denominação de Origem Protegida (DOP) e de não haver organizações locais representativas do sector”.
Além disso, “a produção por agricultor é pequena e tem fraca representatividade, dado que só existe em Bruçó”. Associado a isto, “há falta de mão-de-obra, poucos subsídios, há ainda o problema da doença do castanheiro, e, a agravar, os agricultores sabem produzir, mas não sabem comercializar, porque não existem empresas de comercialização e transformação no concelho”.

“Problema da castanha resolve-se com organização”
Só com a organização dos agricultores é que se podem resolver os problemas associados à produção da castanha.
Ao nível da mão-de-obra, o orador considera que “é preciso começar a recorrer à mecanização da apanha, e, para tal, é necessário que as associações façam acções de demonstração”.
Relativamente à qualidade do produto, “é necessário que os agricultores conheçam as doenças para poderem intervir e que saibam seleccionar o produto, não podem apanhar tudo e esperar que os comerciantes comprem aquilo que não presta”.
Os agricultores “não podem esperar que lhes vão comprar o produto a casa”, mas é necessário que “as associações trabalhem com os agricultores” e que promovam “eventos e acções de valorização de forma continuada”.
Manuel Tibério diz que “nada disto é novo, mas não está feito”, e propõe que se comece a investir mais “numa articulação entre associações e agricultores”.

Texto retirado de: www.mdb.pt
Mensageiro de Bragança