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A festa da segada em Bruçó

SECÇÃO: Nordeste Rural

A população tirou do baú os trajes de outros tempos e pôs mãos à obra

A festa da segada em Bruçó

A Junta de Freguesia de Bruçó e o Centro Cultual local, recriaram o dia da segada com todos os pormenores de antigamente. Cerca de meia centena de participantes foram aos baús, aos armazéns ou palheiros à procura de roupas e artefactos que ajudassem a reviver a tarefa.
Por volta das seis da manhã, os segadores encontraram-se no largo da aldeia munidos de foices e dedais (protecções em cabedal para três dedos), aptos para darem início a um dia de segada.
Recorde-se que, antigamente, muitos homens e mulheres vinham de outras regiões para “ganhar a jeira”. “As migrações sazonais eram uma realidade nesta altura do ano, já que vinham famílias inteiras oriundas da Foz-Côa, Mêda, Longroiva e outras localidades, para trabalharem na ceifa. Era uma importante fonte de rendimento, porque o trabalho e a comida eram garantidos”, explicou a presidente do Centro Cultural de Bruçó, Olívia Pinto.
A ceifa, pôr o cereal cereal em molhos, a acarreja, a malha do cereal na eira e o seu transporte para a tulha foram as tarefas recriadas num dia que ficou na memória de turistas e gerações mais novas. Os mais velhos mostraram o seu saber e o levantamento etnográfico feito pelas “Sete Camadas e Meia” (alcunha do povo de Bruçó).
Todo o processo ficou registado para memória futura, já que se pretende elaborar um trabalho do ciclo do pão, uma tarefa entregue ao município de Mogadouro e à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Para o próximo ano ficou a garantia que outras tradições serão revividas em Bruçó, como é caso do fabrico de telha em fornos seculares, que estão a ser recuperados para o efeito.

Por: Francisco Pinto

Visto em: http://www.jornalnordeste.com/