Rede Escolar // Poderá não haver alunos para três secundárias
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- Categoria: Jornal do Nordeste - Regional
- Publicado em quinta, 24 junho 2010 22:07
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O alerta foi deixado por Luís Martins, da Equipa de Apoio às Escolas. Entretanto, a Miguel Torga mantém secundário, mas queixa-se que as notícias a têm prejudicado

“É evidente que alguma coisa vai acontecer. Não é por nós querermos, é realidade dos factos. Só podemos viver com os alunos que temos”, afirmou Luís Martins, responsável da Equipa de Apoio às Escolas da Terra Fria e Arribas, quando questionado pelo Mensageiro sobre o que classificou de “rumor sem fundamento”, da possibilidade de encerramento do ensino secundário na Escola Miguel Torga, em Bragança. “Nunca isso se pôs em causa. O que foi dito, e foi dito particularmente, é que uma vez que a Escola pediu o Segundo Ciclo, para poder encaminhar os alunos do novo Centro Escolar, que passariam a ficar ali”, isso significaria “tirar de um Agrupamento para colocar noutro”, o que não é o que se pretende, adiantou o responsável da equipa. “A intenção é que se reordene a Rede Escolar e seja bom para todas as partes. Havendo Segundo Ciclo, não poderia haver Secundária”, disse. Daí ter-se-á “extrapolado a ideia de que a Escola em questão poderia perder o ensino secundário”. Luís Martins adiantou não vai haver nenhuma proposta por parte do Ministério da Educação de encerrar o ensino secundário, em nenhuma escola. “O Secundário vai lá estar, se terminar é porque não há alunos a inscreverem-se lá”, afirmou. Considerando que “não vai haver alunos” suficientes para três agrupamento totalmente verticais, em Bragança, Luís Martins adiantou que “não vai ser o Ministério da Educação a dizer que escola secundária fica ou fecha”.
Escola Miguel Torga desagradada com notícias
Em Abril de 2010 saíram, nesta e em outras publicações, notícias de que haveria uma proposta da Equipa de Apoio às Escolas para o encerramento do ensino secundário na Escola Miguel Torga. A informação partiu de dados apresentados pelo membro do executivo municipal, o deputado independente Humberto Rocha, que, segundo indicou, leu uma informação prestada pelo próprio presidente do executivo, Jorge Nunes. Segundo José Manuel Carrapatoso, director da Escola Secundária Miguel Torga, essa informação errada veio prejudicar a escola, uma vez que alguns pais e encarregados de educação terão colocado em causa a matrícula dos alunos nessa Escola, uma vez que poderia não ter Ensino Secundário, no futuro. “Foi um impacto grande, dado, nomeadamente, o poder e influência que reconhecemos aos media”, disse o director da Escola. Se foi com apreensão que a notícia foi recebida na Miguel Torga, foi com júbilo que “tivemos conhecimento do desmentido formal dessa intenção, que foi feito pela Sr. directora Regional adjunta na reunião de Conselho Municipal de Educação”, adiantou o responsável. Actualmente, a “posição da Miguel Torga é que nós somos uma Escola Secundária, cheia de pujança. Estamos cheios de saúde, recomendamo-nos e estaremos de portas e braços abertos para receber os jovens que os pais e eles próprios entendam por bem que esta é uma escola da sua escolha”. Recorde-se que, independentemente da reorganização que seja feita, caberá aos pais a última palavra, quanto à escola que os filhos irão frequentar, dentro das ofertas de ensino disponíveis em cada uma delas. Entretanto, foi também com jubilo que na Miguel Torga se recebeu a resolução do Conselho de Ministros, de 14 de Junho, que estabelece as orientações para o reordenamento da Rede Escolar e não prevê qualquer fecho de escolas do Segundo Ciclo e Terceiro, mas apenas a extinção de escolas do Primeiro Ciclo com menos de 21 alunos. O que agradou ainda mais à Escola Secundária Miguel Torga foi facto de essa resolução indicar que as sedes de agrupamento ficariam situadas em escolas Secundárias, e não, como até agora, na escola do agrupamento que tivesse mais alunos. “Se alguma coisa vier a acontecer, é passar a ser sede de agrupamento, o que permite que os alunos estudem com o mesmo projecto educativo, no mesmo agrupamento, do pré-escolar até ao 12º ano”, afirmou José Manuel Carrapatoso, acrescentado que esta perspectiva educativa agrada à Miguel Torga. Actualmente, indicou que a Escola apresentou uma proposta de “junção, pelo menos, da nossa escola com o Centro Escolar de Santa Maria”. Actualmente estudam na Miguel Torga cerca de 600 alunos. Para além do ensino secundário regular, tem todas as modalidades de oferta de ensino.
Abade de Baçal fica com Izeda
Ao contrário do divulgado, não será com o Agrupamento Augusto Moreno, mas com a Escola Secundária Abade de Baçal, em Bragança, que o Agrupamento de Izeda será fundido. Ou seja, no próximo ano entrará em funcionamento o primeiro agrupamento vertical que engloba todos os graus de ensino, no concelho de Bragança. Segundo Luís Martins, no próximo ano segue-se a criação de um segundo Agrupamento, neste concelho, com características semelhantes. A dúvida, ou não, está em qual será o Agrupamento contemplado. Esta fusão não significa que a Escola de Izeda vá fechar, “uma vez que se situa numa área isolada, onde não existe outra escola nas proximidades”. Luís Martins adiantou que há, neste momento, conversações, entre os municípios de Bragança e Macedo de Cavaleiros, para que alguns alunos de aldeias muito próximas de Izeda não tenham que se deslocar a Macedo, para ter aulas, só porque essas aldeias pertencem àquele concelho. Outra das fusões que irá avançar é a do Agrupamento de Sendim com o Agrupamento de Miranda do Douro.
Escolas do primeiro ciclo que fecham
Entretanto foi já decidido quais as escolas na Terra Fria e Arribas que deverão não abrir portas, no próximo ano lectivo. Em Bragança, encerra a Escola de Espinhosela, cujos alunos vão ser transferidos para o Centro Escolar da Sé. Também fecha Samil, aldeia que “fica a sete quilómetros de Bragança”, e o Zoio, cujo “número reduzido de alunos vai passar para EB 2,1 de Rebordãos. A título excepcional fica aberta Quintanilha, por se situar a mais de 50 minutos do Centro Escolar mais próximo, e Parada que tem 20 alunos, mas poderá ter 21 no próximo ano lectivo. “Essa excepção só se irá manter porque o número de alunos é muito semelhante ao exigido”. Para fechar está também Castro Vicente, no concelho de Mogadouro. Também excepcionalmente, no concelho de Vimioso, fica aberta a escola de Argozelo, que tem 19 alunos, mas, nos anos seguintes, perspectiva-se que venha a ter 21 e 22, e Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, que tem 18 alunos e se prevê venha a ter 20. “Caso não venha a ter, para o ano, se continuar a ter o mesmo número de alunos, encerrará”. Tudo isto, “independentemente de mais ou menos barulho que a população faça. Há uma regra e a regra tem que ser seguida”, alertou Luís Martins. Seguindo esse conceito, em Vinhais não deverão abrir este ano as escolas de Ervedosa e Penhas Juntas (abertas “excepcionalmente desde há quatro anos”). A título excepcional, neste concelho, fica aberta a Escola de Vilar de Lomba.
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