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Sex02102012

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Vimioso // Venda de carne mirandesa poderá triplicar

Conclusão da unidade de tranformação poderá tornar o sector “mais competitivo”

Embora o mercado não esteja fácil, a exportação de carne bovina de Raça Mirandesa já atinge os cinco por cento, mas a vontade é de aumentar o volume de vendas para fora de Portugal. Para isso, irá contribuir a entrada em funcionamento da unidade de transformação de carnes, na Zona Industrial de Vimioso, no início do próximo ano. A comercialização de carne bovina rende à Cooperativa Agro Pecuária Mirandesa (CAPM) cerca de dois milhões de euro anuais, embora esteja prevista uma redução de efectivos inscritos no Livro dos Nascimentos, em relação aos dois últimos anos. Com um registo anual a rondar os quatro mil animais, o secretário do Livro Técnico da Raça Mirandesa, Fernando Sousa, salientou que no ano passado foram inscritos “menos 500 animais”, uma situação que é “possível” manter-se, até porque o “período em que se registam mais animais é na Primavera”. À margem do Concurso Nacional de Bovinos de Raça Mirandesa, que decorreu em Vimioso e onde estiveram presentes oito dezenas de criadores com cerca de 190 animais, Fernando Sousa sublinhou, no entanto, que o efectivo no Solar da Raça Mirandesa se mantém “mais ou menos estável”. “Temos 4500 vacas e registamos normalmente cerca de 3300 vitelos.” Ainda que o mercado seja “extraordinariamente difícil”, o secretário mencionou que as vendas deste ano são “equivalentes” às registadas em 2009, esperando “manter os resultados anteriores”. Na globalidade, a venda da carne mirandesa rendeu dois milhões de euros, não esquecendo a “secção de alimentos compostos”. A nível externo, o mercado francês já absorve cinco por cento da carne, em concreto “carne de bovino em carcaça e enchidos”. Contudo, Fernando Sousa frisou que está “expectante” com o início dos trabalhos da unidade industrial em Vimioso, cujo investimento ronda os 4,5 milhões de euros. “Com esta infra-estrutura penso que teremos a possibilidade de aumentar o volume de vendas, pois teremos outras opções de transformação que actualmente não dispomos.” Apesar da ameaça da crise, o responsável salientou que com a unidade o sector terá “outra capacidade competitiva”, o que poderá ser um ponto de partida para “aumentar de forma expressiva a presença no mercado”. A juntar à “qualidade, à segurança e ao sistema de produção natural” a organização prevê, ao fim de quatro anos, “triplicar aquilo que é a facturação actual da CAPM”. José Brás, de Vimioso, é, conjuntamente com o seu irmão, produtor de bovinos de Raça Mirandesa, mas os “poucos apoios” apresentam-se como um entrave para o futuro. “Está muto difícil. Se não fosse a Associação dos Criadores estaríamos de rastos”, frisou. Apesar de conseguir “manter” a venda de 17 vitelos por ano, José Brás não perspectiva momentos fáceis. “Isto já só se faz por gosto. Existem poucos apoios e parece que o povo se está a desanimar cada vez mais. Há que incentivar mais a Raça Mirandesa, senão pode desaparecer.” De salientar ainda que a Assembleia Geral da Associação dos Criadores “aprovou” o plano de actividades para 2011, bem como o “traje oficial” da associação.

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